RPPN

Saiba mais sobre

Criar uma RPPN em sua propriedade é uma decisão nobre e muito importante, que requer informações e ciência das novas responsabilidades assumidas. O primeiro passo é providenciar a documentação obrigatória e procurar o órgão ambiental federal ou estadual de sua região.

Uma boa opção é procurar uma associação de proprietários de reservas particulares de seu estado ou região para auxiliar no processo. Em Mato Grosso do Sul, entre em contato com a REPAMS. Clique aqui para ter mais informações.

Fonte: REPAMS

Os Corredores de Biodiversidade são grandes unidades de planejamento que têm como principal objetivo compatibilizar a conservação da natureza com um desenvolvimento econômico ambientalmente responsável e mais adequado às características sociais da região. Além disso, nesses espaços as atividades humanas devem ser desenvolvidas visando manter ou restaurar a ligação entre as áreas naturais e garantir a sobrevivência do maior número de espécies e o equilíbrio dos ecossistemas em longo prazo.

O Corredor de Biodiversidade Miranda – Serra da Bodoquena ocupa uma posição estratégica no continente sul-americano por estar em uma área de contato entre os biomas brasileiros Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e o Chaco úmido, o que lhe confere uma alta relevância quanto a padrões biogeográficos de fauna e flora. Além disso, características regionais também contribuem para sua relevância ambiental, como a presença da Serra da Bodoquena, uma importante zona de recarga de aquífero e divisor de águas que abastece as principais bacias hidrográficas da região, e ainda abriga o maior remanescente de Floresta Estacional Decidual do Estado do Mato Grosso do Sul.

O Corredor de Biodiversidade Miranda – Serra da Bodoquena abriga um grande patrimônio natural em suas áreas naturais de Cerrado, remanescentes florestais e pantanais cuja conservação depende de ações sérias de planejamento visando a manutenção desses ecossistemas. As unidades de conservação e outras áreas naturais protegidas são componentes importantes para a formação dos Corredores de Biodiversidade, pois são áreas com restrição de uso que abrigam as amostras mais conservadas dos ecossistemas e servem como núcleos irradiadores de biodiversidade.

A RPPN Buraco das Araras integra o Corredor de Biodiversidade Miranda – Serra da Bodoquena juntamente com mais 18 RPPNs, além de quatro Reservas Indígenas, do Parque Nacional Serra da Bodoquena, Parque Estadual do Rio Negro, Parque Municipal Cachoeira do Apa, Monumentos Naturais do Rio Formoso e Grutas do Lago Azul e Nossa Senhora Aparecida.

Fonte: Associação de Proprietários de RPPNs de MS (REPAMS), Fundação Neotrópica do Brasil e Conservação Internacional do Brasil

Antes de se tornar uma unidade de conservação, a área onde se localiza o Buraco das Araras sofreu muita degradação por parte de pessoas que não conseguiam compreender a importância do lugar. Esta situação mudou quando os atuais proprietários compraram a Fazenda Alegria e desde então direcionaram esforços para sua conservação, culminando com a criação da RPPN Buraco das Araras em 12 de abril de 2007, com 29 hectares de área protegida. Além da dolina, seu atrativo mais conhecido, a RPPN protege um fragmento de Cerrado, com rica flora e fauna, sendo as araras-vermelhas as habitantes mais famosas.

Após a criação da RPPN, foi elaborado o Plano de Manejo e, em seguida, instalado um viveiro de mudas para auxiliar na recuperação do cerrado, reforçando seu compromisso ambiental.

Embora de início houvesse uma pequena exploração pecuária na propriedade, hoje a única atividade econômica é o ecoturismo, possibilitando a sustentabilidade local junto com sua conservação e ainda permitindo educação ambiental dos visitantes. Com isso, a RPPN Buraco das Araras cumpre com os principais objetivos desta unidade de conservação.

Ano a ano observamos o crescimento da população humana, e para sustentar suas necessidades de consumo a produção industrial e a agropecuária também precisam crescer, gerando desmatamento e poluição. Como consequência, as áreas ameaçadas pela degradação estão se transformando em santuários ecológicos para preservar plantas, animais, biodiversidade e benefícios como água de qualidade, que de outra forma estariam fadados a desaparecer. Desta forma, proprietários de RPPNs estão contribuindo efetivamente para a conservação da vida na Terra, dando um exemplo do que é responsabilidade ambiental.

Além de conservar áreas privadas, as RPPNs ajudam a proteger o entorno das unidades de conservação públicas, formando corredores de vegetação e servindo de abrigo e pontos de passagem para animais silvestres. Também contribuem ao promover educação ambiental, despertando consciência ambiental na comunidade que a cerca e nos visitantes que podem difundir esta idéia em sua região de origem.

A dedicação e o empenho dos proprietários de RPPNs nascem do amor à natureza, da convicção e sensibilidade de que é preciso garantir a vida futura. Ao destinarem áreas para a preservação das espécies, colaboram para a sobrevivência do ser humano e ajudam a reforçar o Artigo 225 da Constituição Brasileira, que diz: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.”

Fonte: REPAMS

Em 12 de abril de 2007 foi criada a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Buraco das Araras.
Mas o que é uma RPPN?

RPPN é uma categoria de área natural protegida prevista na legislação federal brasileira e também na de alguns Estados. É criada pela vontade do proprietário rural, que continua tendo posse sobre a área, ou seja, não há desapropriação de terra. No momento em que decide criar uma RPPN, o proprietário assume compromisso com a conservação da natureza, já que seu caráter é permanente: mesmo que futuramente a propriedade venha a ser vendida, por exemplo, a RPPN não pode ser revertida em área de exploração indiscriminada. Devem cumprir os objetivos de conservação da biodiversidade, estabelecidos no artigo 21 da Lei Nº 9.985 de Proteção da Natureza. Não existe restrição quanto ao tamanho e pode abrigar atividades de pesquisa científica, conservação, turismo e educação ambiental, desde que sejam autorizadas pelo órgão ambiental responsável pelo seu reconhecimento.

Fonte: REPAMS

DEPOIMENTOS

Espetacular formação geológica. Natureza exuberante e, se der sorte, poderá ver o sobrevoo das Araras. Nem sempre elas estão disponíveis para tal. Mas mesmo assim, vale a visita. Somente se estiver com o tempo chuvoso, prejudica em muito a visitação

(JRGimenez , Caxias Do Sul, RS)

ECOLOGIA

Com a criação da RPPN Buraco das Araras em 2007, nasceu a necessidade de se elaborar seu Plano de Manejo. Como a dolina é considerada uma cavidade natural, deve-se considerar no planejamento, além do Roteiro Metodológico do IBAMA, também o Plano de Manejo Espeleológico do Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas (CECAV).

Em 2005 a Conservação Internacional do Brasil/CI e a Associação das RPPNs de Mato Grosso do Sul/REPAMS lançaram o Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural, viabilizando a captação de recursos para a elaboração de planos de manejo para as RPPNs de Mato Grosso do Sul. Assim, por meio de inscrição no edital e seleção pela equipe julgadora, em 2007 a RPPN Buraco das Araras foi contemplada com o apoio financeiro deste programa, viabilizando sua realização.

O Plano de Manejo da RPPN Buraco das Araras foi realizado em dez etapas:

1. Estabelecimento de parcerias:
Além da CI e da REPAMS, os pesquisadores envolvidos no trabalho tiveram apoio do Instituto das Águas da Serra da Bodoquena/IASB, Associação dos Atrativos Turísticos de Bonito e Região/ATRATUR e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS. Estas parcerias foram fundamentais na viabilização do documento.

2. Composição da equipe de pesquisadores:
A equipe de pesquisadores foi composta por técnicos especialistas que já atuavam na região e possuíam conhecimentos relevantes sobre o ambiente estudado. Também se levou em consideração o interesse dos mesmos em publicar os dados obtidos durante os levantamentos de campo, divulgando seus resultados.

3. Planejamento dos trabalhos com cronograma de atividades e custos:
Foi definido um cronograma dos trabalhos de campo para os pesquisadores, datas para entrega de relatórios preliminar e final, prestação de contas, reuniões de equipe e outras atividades vinculadas à execução do projeto. Esta etapa foi planejada junto com o proprietário da RPPN, principal interessado nos resultados e o supervisor geral do projeto, responsável pelo repasse da verba destinada ao trabalho.

4. Levantamento de informações:
Cada pesquisador ficou responsável pelo levantamento de dados preliminares relacionados à sua área de pesquisa, sendo que os dados gerais para a composição do documento ficaram sob responsabilidade da coordenação da equipe, que juntamente com o supervisor fizeram levantamentos de dados históricos da propriedade e também da região, assim como aspectos físicos e sócio-econômicos.

5. Levantamentos de campo:
ao longo de um ano todos os pesquisadores visitaram a área da RPPN para elaborar inventários de fauna, flora, geologia e obter informações socioeconômicas da área, de forma a subsidiar informações sobre os pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças para seu funcionamento. Para o Plano de Manejo da RPPN Buraco das Araras, nesta primeira etapa foram realizados estudos botânicos, mamíferos terrestres e voadores, avifauna, répteis, anfíbios, geologia, economia e atividade turística.

6. Tratamento das informações:
com metodologia específica, todas as informações obtidas em campo ou através de pesquisa bibliográfica e entrevistas foram compiladas e organizadas de forma a indicar um diagnóstico geral da área e definir seu zoneamento ambiental e futuras ações de manejo.

7. Desenho do planejamento:
O zoneamento e os programas de manejo foram planejados seguindo quatro linhas básicas: licença de operação turística, recomendações resultantes durante o diagnóstico, manejo e uso turístico da RPPN antes da elaboração deste documento e as expectativas do proprietário. Estes parâmetros possibilitaram a criação de um plano de manejo de fácil aplicabilidade para a RPPN Buraco das Araras, estando dentro dos objetivos iniciais quando da criação desta unidade de conservação e também da capacidade de investimento financeiro dos proprietários.

8. Aprovação do Plano de Manejo:
Após a análise dos resultados obtidos durante o diagnóstico sócio-ambiental e da formatação do zoneamento, os programas resultantes foram analisados pelas instituições parceiras e pelo órgão fiscalizador, tendo sido aprovado em 2009.

9. Divulgação do Plano de Manejo:
O documento foi divulgado em diversos locais, especialmente internet e jornais de circulação em Mato Grosso do Sul, além de alguns programas de televisão que abordaram a importância da RPPN Buraco das Araras.

10. Implementação do Plano de Manejo:
A execução dos programas de manejo propostos neste documento começou a ser implementada logo após sua finalização, de forma a cumprir os prazo estabelecidos. Sua revisão em cinco anos indicará a necessidade de alterações ou complementações dos programas propostos.

Além dessas etapas, alguns projetos futuros foram incluídos no cronograma de atividades, de forma a nortear novas ações que auxiliem na proteção da reserva e na educação ambiental do visitante.

Clique aqui para conhecer o Plano de Manejo da RPPN Buraco das Araras

O Plano de Manejo é um documento de planejamento onde são definidas as linhas básicas de funcionamento da reserva. Toda RPPN deve ter o seu Plano de Manejo e, mais do que isto, deve efetivamente segui-lo como forma de orientar todas as ações a serem realizadas dentro da área, bem como suas relações com atividades do entorno e com a região em que se insere.

Várias etapas e muitos estudos são necessários para a elaboração do plano de manejo de uma RPPN, e o “Roteiro Metodológico para elaboração de plano de manejo para RPPNs” do IBAMA é a melhor orientação para a criação deste documento.
Clique aqui para conhecer o Roteiro Metodológico.

O planejamento da gestão de uma RPPN é muito importante, pois é a partir do Plano de Manejo que se definem as ações prioritárias e o uso que se fará de cada parte da reserva. O primeiro aspecto é o grande número de informações que o proprietário terá sobre sua área, especialmente sobre sua fauna, flora e geologia, entre outras.

O plano de manejo facilita o planejamento ao definir uma série de orientações e recomendações que devem ser seguidas para garantir a proteção dos recursos naturais, mesmo que haja algum tipo de exploração sustentável da reserva, como o ecoturismo.

O Cerrado brasileiro, bioma onde está localizada a RPPN Buraco das Araras, abriga 30% da diversidade biológica do país, com muitas espécies raras, endêmicas ou ameaçadas de extinção, sendo de grande importância para a conservação mundial. A principal ameaça a estes animais vem do desmatamento e da degradação ambiental, fazendo com que dependam das unidades de conservação para sobreviverem.

Desde a aquisição da área os proprietários se preocuparam em proteger a natureza local, incluindo a recuperação da vegetação original, anteriormente bastante degradada, que proporcionou o retorno gradual da fauna. Como resultado, observamos o enriquecimento do ambiente, em um processo que também auxilia na recomposição da flora, visto que boa parte das aves, mamíferos e insetos são polinizadores e dispersores de sementes. Ano a ano o sucesso deste ciclo de equilíbrio é comprovado com a chegada de mais filhotes gerados na segurança da RPPN Buraco das Araras e no adensamento da vegetação na área e arredores.

Seguem algumas informações interessantes sobre os animais do Buraco das Araras, retiradas do Relatório do Plano de Manejo da RPPN e também uma lista com aqueles mais facilmente observados na região.

Mamíferos

Durante os estudos feitos para o Plano de Manejo da RPPN Buraco das Araras, foram registradas 50 espécies de mamíferos silvestres na região, sendo que destes, 30 já foram encontrados dentro da propriedade, como lobinhos, veados e tatus. Além disso, cinco espécies ameaçadas de extinção também habitam a área: tamanduá-bandeira, lobo-guará, jaguatirica, veado-mateiro e anta.

Além dos mamíferos terrestres, o Buraco das Araras tem uma relevante fauna de quirópteros (morcegos), que se destacam dos demais mamíferos por serem os únicos com capacidade de voo. Os morcegos desempenham diferentes funções ecológicas como polinização e dispersão de sementes, controle de pequenos vertebrados (como ratos) e invertebrados. Durante os estudos realizados na propriedade, foram identificadas dez espécies de morcegos, que ocupam principalmente as fendas dentro da dolina, saindo em grandes revoadas no início da noite.

Tamanduá-bandeira – Myrmecophaga tridactyla Observado nos campos e no cerrado, principalmente no fim da tarde e durante a noite, onde procura por cupins e formigas, seu principal alimento. Utiliza suas garras para abrir buracos nos cupinzeiros, capturando os insetos com sua língua pegajosa. Está ameaçado de extinção.

Tatu-peba – Euphractus sexcinctus Movimenta-se rapidamente pelo campo em busca insetos, frutos, raízes e carniça. Possui faro apurado e garras fortes, que utiliza para escavar o solo em busca de alimento ou para construir tocas. Pode ser observado durante o dia ou à noite.

Morcego frugívoro – Artibeus planirostris Os morcegos frugívoros possuem grande importância no equilíbrio ambiental, visto que, ao se alimentarem dos frutos do cerrado, auxiliam na regeneração de mata através das sementes liberadas em suas fezes. Vivem nas fendas da dolina, podendo habitar também ocos de árvores e demais cavidades naturais.

Lobinho – Cerdocyon thous Quase sempre vistos em casais, os lobinhos têm hábito crepuscular e noturno, quando procuram por pequenos vertebrados como ratos silvestres, aves e sapos, além de frutos como marolo, guavira e outros alimentos. Vive no cerrado e beira de matas, podendo se aproximar de moradias em áreas rurais.

Lobo-guará – Chrysocyon brachyurus Maior canídeo da América do Sul, o lobo-guará é solitário, formando casais apenas no período reprodutivo, quando a fêmea fica dentro da toca cuidando dos filhotes, sendo alimentada pelo macho. Alimentam-se de pequenos vertebrados como ratos e aves, sendo o fruto da lobeira importante em sua dieta.

Quati – Nasua nasua Os quatis vivem em bandos numerosos formados por fêmeas e filhotes. Vivem no cerrado e nas florestas, onde vasculham tudo atrás de alimentos como frutos, insetos, ovos e sementes. O macho, chamado de “quatimundéu”, vive sozinho, encontrando-se com as fêmeas apenas durante o período reprodutivo.

Veado-catingueiro – Mazama guazoubira Vive no cerrado e borda de florestas, com hábito preferencialmente crepuscular, podendo ser visto também durante o dia em alguns locais. Alimenta-se de ervas nativas e pequenos frutos. Geralmente solitário, forma casais apenas durante o período reprodutivo.

Aves

As aves têm papel importante na natureza, atuando de forma decisiva em diversos processos ecológicos, que contribuem para a manutenção da biodiversidade, como controle de insetos e pequenos vertebrados, dispersão de sementes, polinização, entre outras. Sua beleza, variedade de cores e cantos fazem com que sejam admiradas no mundo todo, atraindo muitos observadores de aves.

Na área da RPPN Buraco das Araras foram identificadas 124 espécies, todas características do Bioma Cerrado, com duas aves endêmicas: o papagaio-galego e a gralha-do-campo. De todas as aves identificadas, apenas a ema sofre alguma ameaça de extinção.

Também foram registradas quinze espécies migratórias na propriedade, a maioria apenas migrantes regionais (movimentam-se dentro do território brasileiro). Porém a guaracava-de-crista-branca, uma pequena ave da família do bem-te-vi é uma visitante meridional, vindo do sul do continente americano.

Curicaca – Theristicus caudatus As curicacas podem ser vistas nos campos, onde utilizam o bico longo e curvo para procurar pequenos invertebrados dos quais se alimentam. Normalmente em casais, no final da tarde reúnem-se em grupos para passar a noite sobre as árvores, fazendo muito barulho até escurecer. Os casais fazem ninhos sobre as árvores, cuidando juntos dos filhotes.

Gavião-pato – Spizaetus melanoleucus Esta bela ave de rapina sobrevoa florestas em busca de pequenos mamíferos ou aves para se alimentar. Ave solitária, forma casal apenas no período reprodutivo. Eventualmente sobrevoa o cerrado e a dolina do Buraco das Araras, o que causa alvoroço nas araras.

Seriema – Cariama cristata Conhecida como a voz do cerrado, é vista sempre em casais caminhando tranquilamente entre a vegetação baixa à procura de alimentos, especialmente invertebrados. À noite buscam os galhos mais altos das árvores para dormir. Ao amanhecer, enchem a paisagem com seu canto forte.

Arara-vermelha – Ara chloropterus Principal atração depois da dolina, as araras-vermelhas dominam a paisagem com suas cores vibrantes e seu grito forte que ecoa nos paredões. Sempre aos casais, fazem ninhos em ocos de árvores ou nas fendas da dolina. Alimentam-se de coquinhos, especialmente a bocaiúva, palmeira comum nos campos da região.

Murucututu – Pulsatrix perspicillata Como a maioria das corujas, a murucututu tem hábitos noturnos e se alimenta de pequenos vertebrados, especialmente ratos silvestres, sapos e pererecas. Solitárias, formam casais apenas no período reprodutivo, quando constroem ninhos no alto das árvores ou em fendas da dolina. Seu canto melancólico é ouvido no começo da noite.

Beija-flor-tesoura – Eupetomena macroura Os beija-flores têm grande importância na polinização das plantas, pois ao buscar o néctar, acabam transferindo pólen de uma flor à outra. Complementam sua dieta comendo insetos. O beija-flor-tesoura é o maior da região e tem forte comportamento territorialista, expulsando os demais beija-flores de sua área.

Tucano-toco – Ramphastos toco Embora sua alimentação principal seja composta principalmente de frutas, os tucanos também predam ninhos em busca de ovos e filhotes de outras aves, além de ratinhos silvestres e pererecas. Exercem importante papel na regeneração florestal ao espalhar sementes das plantas por meio de suas fezes. Fazem ninhos em ocos de árvores.

Papa-formigas-vermelho – Formicivora rufa O papa-formigas-vermelho é uma ave muito discreta, que vive em casais no meio dos arbustos do cerrado. Movimenta-se em meio à vegetação buscando por insetos. São bastante comuns no cerrado do Buraco das Araras, embora poucas pessoas percebam sua presença. Fazem ninhos escondidos no meio dos arbustos.

Gralha-do-campo – Cyanocorax cristatelus Bastante barulhentas, percorrem sempre os mesmos locais vasculhando árvores e arbustos no campo em busca de invertebrados, frutos, sementes e ovos. Vivem em grupos de seis a oito indivíduos, fazem ninhos nas árvores e todo o bando cuida dos filhotes de forma cooperativa. Espécie com distribuição restrita ao Bioma Cerrado.

Sanhaço-cinzento – Thraupis sayaca Uma das aves mais conhecidas da região, o sanhaço-cinzento vive nas copas das árvores em pequenos grupos, onde se alimentam de pequenos frutos, sendo bons dispersores de sementes. Podem formar bandos mistos, ou seja, misturam-se a aves de espécies diferentes para procurar alimento fora do período reprodutivo.

Clique aqui para ver a lista de aves da RPPN Buraco das Araras.

Répteis

Durante os trabalhos para o Plano de Manejo da RPPN Buraco das Araras, foram registradas 16 espécies de 16 répteis, todos típicos do Cerrado. Além das serpentes e lagartos, destaca-se o casal de jacarés-do-papo-amarelo que vive dentro da dolina. Segundo os proprietários, estão lá há mais de 40 anos reproduzindo-se anualmente, mas predam os ovos ou os filhotes ainda jovens.

Jacaré-do-papo-amarelo – Caiman latirostris Quando filhotes alimentam-se principalmente de insetos e caramujos, alterando a dieta para peixes e outros vertebrados conforme se tornam adultos. Constroem ninhos na mata ciliar, cobrindo os ovos com folhas e restos vegetais. A forma como esses jacarés entraram na dolina ainda é um mistério.

Teiú – Tupinambis merianae Os teiús caminham nos períodos quentes do dia em busca de frutos, pequenos vertebrados, ovos, moluscos e outros alimentos. Reproduzem-se na estação seca, colocando ovos em buracos escavados no solo ou dentro de cupinzeiros. Podem percorrer longas distâncias e são muito rápidos quando em fuga.

Coral-falsa – Oxyrhopus guibei Esta serpente usa sua semelhança com as corais verdadeiras para afugentar predadores. De hábitos diurnos e noturnos, alimenta-se de pequenos roedores, lagartos, anfíbios e outras serpentes. Possui comportamento dócil e não é peçonhenta.

Anfíbios

Do ponto de vista ecológico, anfíbios são considerados bons indicadores ambientais, espécies cujas populações refletem o “status” de conservação do ambiente, pois respondem rapidamente às mudanças ambientais. Além disso, muitas espécies não realizam grandes deslocamentos de onde nasceram e também atuam como monitores das condições locais. Atualmente, o Brasil é o país com a maior riqueza de anfíbios, sendo que o Cerrado abriga boa parte desta diversidade.

Até o momento são conhecidas 10 espécies de anfíbios para a RPPN Buraco das Araras, todos típicos do Cerrado, registrados durante a elaboração do Plano de Manejo.

Sapo-de-chifre – Proceratophrys sp Embora prefira ambientes mais úmidos, o sapo-de-chifre pode ser encontrado em locais e períodos mais secos, sob a folhagem seca do chão. Ao vocalizar, ergue-se sobre as patas dianteiras, empinando a cabeça e mantendo parte do corpo escondida sob a folhagem. Alimenta-se de pequenos insetos.

Rã-quatro-olhos – Eupemphix nattereri Vive sob as folhas secas que recobrem o solo do cerrado, alimentando-se de pequenos insetos. Seu nome é devido às duas manchas que possui na parte traseira do corpo, lembrando dois grandes olhos. Quando ameaçada esta rã levanta as patas traseiras e exibe as manchas para dar impressão de ser um animal maior.

Perereca-de-banheiro – Scinax fuscovarius É uma das pererecas mais conhecidas devido à sua presença comum em banheiros, especialmente em habitações da zona rural. Possui manchas amareladas sob as axilas. De hábito noturno alimenta-se de pequenos insetos e prefere ambientes de maior umidade.

Peixes

Não existem cursos d’água dentro da propriedade, mas no fundo da dolina há um pequeno lago onde, além do casal de jacarés, é possível observar traíras e lambaris. Ainda não foram feitos estudos mais detalhados para confirmar a presença de outras espécies dentro da dolina.

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, sendo superado em área apenas pela Amazônia. Ocupa 23% do território nacional, com 2 milhões de km2. O termo “cerrado” é comumente utilizado para designar o conjunto de ecossistemas (savanas, matas, campos e matas ciliares) que ocorrem no Brasil Central.

A paisagem do cerrado é caracterizada por extensas formações savânicas, interceptadas por matas ciliares ao longo dos rios, nos fundos de vale. Entretanto, outros tipos de vegetação podem aparecer, tais como os campos úmidos ou veredas de buritis, onde o lençol freático é superficial. Os campos rupestres podem ocorrer nas maiores altitudes e as florestas mesófilas situam-se sobre solos férteis. Mesmo as formas savânicas exclusivas não são homogêneas, havendo uma grande variação no balanço entre a quantidade de árvores e de herbáceas, formando um gradiente estrutural que vai do cerrado completamente aberto – o campo limpo, vegetação dominada por gramíneas, sem a presença dos elementos lenhosos (árvores e arbustos) – ao cerrado fechado, fisionomicamente florestal – o cerradão, com grande quantidade de árvores.

As árvores do cerrado são muito peculiares, com troncos tortos, cobertos por uma cortiça grossa, cujas folhas são geralmente grandes e rígidas. Muitas plantas herbáceas têm órgãos subterrâneos para armazenar água e nutrientes. Cortiça grossa e estruturas subterrâneas permitem à vegetação resistir às queimadas periódicas a que é submetida, protegendo as plantas da destruição e capacitando-as para rebrotar após o fogo natural.

A cobertura vegetal do Cerrado é a segunda mais importante do Brasil, além de ser reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade. A grande variabilidade de habitats nos diversos tipos de cerrado suporta uma enorme diversidade de espécies de plantas e animais. O número de plantas vasculares é superior àquele encontrado na maioria das regiões do mundo: plantas herbáceas, arbustivas, arbóreas e cipós somam mais de 7.000 espécies. Quarenta e quatro por cento da flora é endêmica e, nesse sentido, o Cerrado é a mais diversificada savana tropical do mundo. Convém lembrar que os cerrados também exercem importantes papéis como corredores entre Biomas como Amazônia, Floresta Atlântica e Caatinga, além de abrigar e fornecer alimento à fauna silvestre.

O Cerrado é considerado um dos ‘hot spots’ para a conservação da biodiversidade mundial. Nos últimos 35 anos mais da metade de sua área foi transformada em pastagem e campos agrícolas. Portanto, aprender e entender o Bioma Cerrado torna-se importante na tentativa de conservá-lo, uma vez que aproximadamente 50% das regiões atuais caracterizadas por Cerrado sofrem interferência direta do uso humano e 35% das áreas naturais vêm sendo substituídas pela expansão agrícola ano a ano. Um dos principais desafios na conservação do Cerrado será demonstrar a importância que a biodiversidade desempenha no funcionamento dos ecossistemas.

Fonte: Capítulo 6-Flora, do Plano de Manejo da RPPN Buraco das Araras.

Quem visita o Buraco das Araras fica admirado com o tamanho do “buracão”. Ao se perguntar como ele surgiu, a explicação mais ouvida diz que ele foi totalmente escavado pelo Sr. Modesto, o proprietário, e que a areia retirada de lá foi cedida ao município vizinho de Porto Murtinho para construírem os diques que circundam a cidade inteira, protegendo-a das cheias do rio Paraguai. Sr. Modesto diz ainda que o trabalho só não ficou melhor porque os filhos ficaram com preguiça e não quiseram terminar o serviço…

Porém os geólogos não acreditam muito nesse “causo” e fornecem uma explicação científica para o surgimento das dolinas da região. Para entender melhor esse processo, é preciso antes entender a formação de cavidades naturais em rocha calcária.

Formação de Cavernas

As cavernas são formadas em sua maioria em rochas calcárias. A água infiltra-se nas fissuras microscópicas da rocha e inicia o trabalho químico de dissolução, através da reação entre o gás carbônico e a água, formando o ácido carbônico. Além de estar na atmosfera, o gás carbônico está presente também no solo, onde é liberado por meio da respiração dos microorganismos decompositores. A água, ao “lavar” o solo, é enriquecida com esse gás e se torna mais ácida. Os solos de florestas, que apresentam intensa decomposição orgânica, contêm grande quantidade de gás carbônico.

A reação do gás carbônico com o carbonato de cálcio, principal componente da rocha calcária, libera o bicarbonato de cálcio que, sendo solúvel, é transportado pela água, ampliando as fissuras da rocha. Em regiões onde há mais chuvas, o desenvolvimento de cavernas é favorecido. Em regiões de clima desértico, as cavernas e as outras formações características de relevo cárstico são mais raras.

Para que uma caverna se forme, é necessário que a rocha calcária tenha grande espessura, com fissuras e fraturas que permitam a passagem da água. Essa água deve estar acima do nível do mar e do lençol freático, de forma que, graças à força da gravidade, ela possa circular. Em seu curso, a água atravessa as partes da rocha que são mais facilmente dissolvidas pela ação do ácido carbônico. Em função disso, formam-se também condutos laterais e inferiores – galerias – que dão à caverna a aparência do interior de um formigueiro. Quando ocorrem desmoronamentos, formam-se grandes salões. Os condutos podem ser obstruídos por sedimentos trazidos do exterior ou pela formação dos espeleotemas (ornamentos das cavernas).

Arenitos são rochas sedimentares, constituídos por grãos de areia consolidados por um cimento qualquer, onde o principal componente é a sílica. A sílica também sofre dissolução por ácidos, porém é muito mais resistente do que o calcário. Assim pequenas fissuras são alargadas pela ação mecânica da água, ampliando os condutos. Desta forma, as cavernas de arenito são resultantes de erosão, enquanto que as calcárias provêm da dissolução por ácidos.

Como surgem as dolinas

Dolina é uma depressão ocasionada pela dissolução da rocha em regiões calcárias ou pelo desmoronamento consequente de tais dissoluções. Se o teto de uma caverna perder sua resistência e desabar, provocará na superfície do terreno depressões cujo tamanho pode ser considerável e cuja forma se assemelha ás vezes a verdadeiros funis.

Essa dissolução é causada pela ação das águas que se infiltram pelas rochas, formando imensos salões inundados. Quando ocorre o rebaixamento do nível dessa água, os salões podem perder a sustentação e desabar, sendo preenchidos pelas rochas da superfície. Este é o processo que formou diversas dolinas na região de Jardim, sendo as mais famosas o Buraco das Araras e a Lagoa Misteriosa, indicando um sistema de condutos cársticos em profundidade, hipótese reforçada quando se observa as grutas da região, alinhadas todas na mesma direção.

A dolina do Buraco das Araras se formou pelo colapso do arenito devido à dissolução da rocha calcária subterrânea, a mesma encontrada na Serra da Bodoquena.

O Buraco das Araras é uma dolina elíptica orientada a N310, com 125 por 70 metros de eixos maior e menor, 100 metros de profundidade aproximadamente 160 metros de diâmetro e 500 de circunferência. Possui paredes escarpadas constituídas totalmente de arenitos da Formação Aquidauana. Um lago ocorre no fundo da depressão e não há afloramento de rocha calcária.

Acredita-se que sua formação tenha começado há cerca de dez milhões de anos, quando a água que penetrou pelas fissuras da rocha arenítica começou a dissolver o calcário subterrâneo, formando salões que foram preenchidos com água um milhão de anos atrás. Essa água do lençol freático sofreu rebaixamento há uns 300 mil anos, o que levou a um processo de desmoronamento da camada superior formada pelo arenito. Logo após este processo, a dolina começou a ser ocupada pela vegetação, formando um novo habitat para a fauna local.

As rochas sedimentares são formadas por camadas horizontais resultantes da deposição dos materiais que a compõem. As marcas verticais que aparecem no arenito do Buraco das Araras têm origem nas ranhuras provocadas pelo desmoronamento da rocha quando se da a formação da dolina.

O Planalto da Bodoquena, região onde estão inseridos os municípios de Bonito e Bodoquena, tem formação cárstica, ou seja, formado principalmente por rochas calcárias. Já o município de Jardim, onde se localiza o Buraco das Araras, tem predominância de rochas areníticas, de origem mais recente. Para entender melhor, vamos falar sobre a formação destas duas regiões.

O Planalto da Bodoquena

A história geológica da Serra da Bodoquena teve início há mais de 1 bilhão de anos, quando existiu um antigo mar intracontinental chamado Mar de Corumbá, onde viviam apenas formas muito primitivas de vida conhecidas como estromatólitos. Os estromatólitos são algas com carapaças calcárias que ao morrer se acumulavam no fundo do mar, formando grandes depósitos de sedimentos. Ao longo do tempo, estes sedimentos se consolidaram e se transformaram em rocha calcária. Ainda hoje, para quem possui olhos mais atentos, é possível encontrar as marcas deixadas pelos estromatólitos fossilizados nas rochas da região.

Durante a movimentação tectônica que resultou na separação dos continentes africano e americano, cerca de 700 milhões de anos atrás, esse mar continental aos poucos foi se fechando e desaparecendo, e em seu lugar começou a se erguer uma cadeia de montanhas formada pelas rochas calcárias que estavam no fundo marinho, mudando completamente a antiga paisagem. Com o tempo, esta cadeia de montanhas foi sendo lentamente erodida até moldar a Serra da Bodoquena como conhecemos hoje, com suas cavernas, rios subterrâneos e cachoeiras.

Os arenitos de Jardim

Os arenitos avermelhados encontrados na região de Jardim se originaram cerca de 300 milhões de anos atrás, em ambiente glacial. Com a separação dos continentes e o resfriamento da temperatura da Terra, diversas regiões ficaram congeladas, o que também contribuiu para a diminuição da profundidade do antigo Mar de Corumbá. Neste período não houve deposição cálcaria, visto que este processo só ocorre em águas quentes e rasas, formando-se apenas um extenso depósito de areias silicosas, resultado da erosão da rocha granítica continental primitiva.

Posteriormente essas areias se agregaram em um processo conhecido como sedimentação, formando a rocha arenítica avermelhada e rica em ferro que predomina atualmente na região. Quando a rocha voltou a ficar exposta às intempéries, reiniciou-se o processo de erosão contínua, adquirindo as formas hoje conhecidas. Na região de Jardim estes arenitos estão acomodados sobre camadas subterrâneas das rochas carbonáticas da Serra da Bodoquena.